Casa da Palavra



A Casa da Palavra é um espaço dedicado à cultural literária. O seu trabalho é voltado aos amantes da literatura, filosofia, artistas e estudantes.

Ela abriga em seu espaço a Escola Livre de Literatura, que se destina exclusivamente à difusão da Literatura, e à formação de novos leitores e escritores.

Este espaço é um equipamento da Secretaria de Cultura de Santo André.

Local: Praça do Carmo, 171, Centro – Santo André, SP.
Contato: 4992-7218


segunda-feira

Hildebrando Pafundi

Escritor e jornalista, com participação em antologias de crônicas e contos e co-autoria em outros livros. Autor dos livros de contos "Tramas & dramas da vida urbana", e "No ritmo sensual da dança" editados em setembro de 2004 e 2006, respectivamente; "Cotidiano e imaginário do ano 2000 (diário), editado em 2007. Leia minha coluna, Esquina Descontraída, no jornal virtual Clique ABC.






Gatos & ratos

A noite surgiu negra e tenebrosa, enquanto o negro gato dormia, no quarto branco, onde havia um rato preto e uma ratazana branca, igual a essas utilizadas para pesquisas e experiências de laboratório.
O rato preto gostou da rata branca. Ela também gostou do parceiro pretinho, prova que entre os ratos não existe qualquer preconceito racial de cor, como costuma ocorrer em alguns países entre os seres humanos.
Mas os grunhidos de amor dos ratos, parecidos com os de um casal de javalis, acordaram o gato preto, que miou contra a noite sem estrelas.
Miado grosso, porém carinhoso, chamando a companheira, a bonita gata branca, que estava no cio.
Depois do delicioso ato sexual, o gato e a gata, que também não tinham preconceito de cor, jantaram o casal de ratos.
Março 2001 - publicado no livro de contos de Hildebrando Pafundi, “Tramas & dramas da vida urbana”, Elosul Editora/2004.

Promessa de Vingança

"Brasil! Um país rico, culto, sonhador e
pobre, mas onde se oculta toda riqueza
cultural que ainda sobrou neste Planeta".
(Gilberto Lopes Teixeira, 1983)**
Zé de Freitas e seu filho Severino encontraram naquela favela de São Bernardo do Campo o local ideal para morar, depois que Maria de Freitas, mulher do Zé, fugiu com outro e eles foram despejados. Ele ficou desempregado, passou a viver de bicos e deixou atrasar o aluguel por vários meses. Apesar da miséria, dos riscos de desabamento do barraco de madeira e da falta de uma mulher na vida dos dois, eles iam levando a vida.
Mas, na realidade, outras coisas importantes faltavam para eles e para a comunidade, que vivia naqueles pouco mais de 50 barracos, erguidos na beira de um córrego poluído ou pendurados em barrancos. Não havia posto de saúde, nem saneamento básico. O esgoto corria a céu aberto. Ambulância ou qualquer outro tipo de veículo não conseguia entrar na favela, porque as vielas eram muito estreitas. O carro-pipa da Prefeitura parava na rua de baixo e ali os moradores iam busca água com baldes de plástico, de alumínio, latas e outros tipos de vasilhas. Os doentes eram levados em macas até o local onde a ambulância conseguia chegar. A polícia também dificilmente aparecia por lá. Energia elétrica tinha, embora fosse clandestina, puxada diretamente dos postes da Eletropaulo para os barracos. Os moradores chamavam essas ligações de gambiarras ou "gatos". As crianças menores, que não podiam freqüentar escola, porque ficava muito longe da favela, não tinham local para suas brincadeiras.
Everaldo, ovelha negra da favela, traficante de drogas e briguento, um dia aplicou uma tremenda surra no Zé de Freitas, por causa de uma pequena dívida. Um empréstimo para a compra de remédios para o filho e que ainda não conseguira pagar. Zé de Freitas prometeu vingança. Porém, como estava muito velho, passou a incumbência ao filho Severino:
--- Quando você crescer, filho, vinga essa desfeita.
Anos mais tarde, quando o pai já havia morrido, Severino se armou de uma faca bem afiada e foi procurar Everaldo. Encontrou-o bebendo cachaça com amigos em um boteco da favela.
--- Everaldo, quero falar contigo, disse.
Everaldo saiu do bar, risonho, esquecido da antiga briga com o falecido Zé de Freitas. Severino, com um sorriso nos lábios cumprimentou o valentão, que nem percebeu que o outro estava armado. A faca afiada penetrou no pescoço e depois no peito de Everaldo, que sem ser socorrido, morreu numa poça de sangue.
Mas Everaldo também tinha um filho, Pedro, com 18 anos, que prometeu vingar a morte do pai. Deixou a barba crescer, como sinal de revolta, e disse que só iria raspar depois de matar Severino, que havia desaparecido da favela. A barba foi crescendo e, quando estava muito longa, três anos depois da promessa, um belo dia, ele apareceu de cara limpa. Havia raspado a barba, como quem tira um peso da consciência, mas, na realidade, um disfarce. Vingara a morte do pai. E agora era um assassino, mas a policia procurava um homem alto, de barba longa, aparentando cerca de 30 anos. E Pedro, agora sem barba, era um jovem, que aparentava a idade que tinha: 21 anos.
Desapareceu da favela sem deixar pistas.
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Este conto foi premiado entre os dez melhores no Concurso de "Contos José Antonio Riani", da Academia de Letras da Grande São Paulo em 1999 e publicado em coletânea dos classificados pela Scortecci Editora em 2000.
** Gilberto Lopes Teixeira, sobrinho do autor, escreveu essa frase quando tinha 15 anos de idade. Hoje é professor universitário, mestre e doutor em História, formado pela USP, leciona na Fundação Santo André e em outras faculdades.

sábado

Livros na Casa

Empréstimo e outras informações:
Casa da Palavra, Praça do Carmo, 171, Centro - Santo André
telefone: 011 4992 7218
Falar com José Carlos

Leia:

COTIDIANO E IMAGINÁRIO Do ano 2000
Autor : HILDEBRANDO PAFUNDI
Editora: W/2007

Resultado de um acordo entre escritores, na Alfharrabio, espaço literário, em Santo André, Cotidiano e Imaginário, diário do ano 2000, mescla acontecimentos da vida particular do autor com os da cidade, da região do Grande ABC e em todo o País, no que foi o primeiro ano do séc.XXI, ou do último do séc.passado. Há divergências.Além de ser um registro(quase oficial) da temperatura e acontecimentos impactantes de todos os segmentos – a maior parte das informações são extraídas do períodico local, Diário do Grande ABC - ,o diário apresenta de forma poética os desdobramentos da vida do jornalista, escritor e membro atuante em vertentes sócioeconômicaculturais sem deixar que os embates cotidianos lhes tirassem os prazeres das manifestações familiares, narradas em detalhes triviais e minimalistas.Recomendado para aqueles que desejam revisitar este ano emblemático de nossa história e que, também, precisam de referências do viver bem por um cidadão de bem.

Outras obras: Trama & dramas da vida urbana(contos), editora Elosul/2004
No ritmo sensual da dança(contos), editora W/2006
Inéditas: Antes que falhe a memória(crônicas)
Janela da liberdade e outras histórias(infanto-juvenil)
por, Rosana Banharoli

AS HORAS NUAS
Autor: TELLES, LYGIA FAGUNDES
Editora: ROCCO

"Recentemente, estava eu a folhear alguns dos livros de Lygia Fagundes Telles que desde há muito me acompanham na vida, a afagar com os olhos páginas tantas vezes soberbas, quando me detive nessa verdadeira obra-prima que é o conto Pomba Enamorada. Reli-o uma vez mais, palavra a palavra, sílaba a sílaba, saboreando ao de leve a pungente amargura daquele mel." José Saramago



CONTOS REUNIDOS
Autor: FONSECA, RUBEM
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS

Estendendo-se por um período de mais de trinta anos, 'Contos reunidos' contém praticamente todos os contos escritos por Rubem Fonseca de 1963 até 1994. Com apresentação do professor Boris Schnaiderman, Contos reunidos permite conhecer a trajetória desse autor que soube aliar os recursos do romance policial, do jornalismo e do documento científico ao lirismo mais surpreendente e desesperado, para renovar profundamente a forma do conto entre nós.


A REDOMA DE VIDRO
Autor: PLATH, SYLVIA
Editora: RECORD

Fugindo do que seria um obra de literatura confessional, a autora cria um romance de qualidade excepcional, centrado no processo de desintegração mental de sua heroína, promovido pelas mais diversas manifestações do chamado "senso comum".






ELES ERAM MUITOS CAVALOS
Autor: RUFFATO, LUIZ
Editora: BOITEMPO EDITORIAL

Durante um único dia, 09 de maio de 2000, o autor percorre a cidade de São Paulo tentando desvendá-la. Não apenas os engarrafamentos, parques ou dinheiro correndo por entre os conglomerados econômicos. Ele decifra cada dia, minuto e segundo da metrópole marcada pela diversidade humana - mosaico composto por gente de todo o Brasil.




DENTRO DA NOITE VELOZ
Autor: GULLAR, FERREIRA
Editora: JOSE OLYMPIO

Dentro da noite veloz' traz um Gullar preocupado com a necessidade de mudanças radicais no país. Sem fazer concessão ao panfletário, o poeta vence, com maestria inigualável, a traiçoeira vertente da poesia com matiz político-social.O livro resulta do caminho percorrido pelo autor na tentativa de realizar uma poesia que, tratando das questões sociais e políticas, mantivesse a qualidade literária.



PANTALEÃO E AS VISITADORAS
Autor: VARGAS LLOSA, MARIO
Editora: ALFAGUARA BRASIL

'Pantaleão e as visitadoras' conta a história de Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, que recebe uma missão inesperada - criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar. O capitão tem que se mudar para Iquitos, se manter afastado dos demais militares, usar trajes civis e, acima de tudo, não contar nada à mãe e à mulher. É obrigado a trabalhar nas madrugadas, bebendo em bares infectos, e cuidar do empreendimento com personagens insólitos. Em pouco tempo o que era uma missão discreta se transforma no maior empreendimento de prostitutas do país, virando do avesso à vida de Iquitos e do próprio Pantaleão, que, como se não bastassem os problemas familiares, se verá envolvido com uma bela e insinuante visitadora.

NADJA
Autor: BRETON, ANDRE
Editora: COSAC NAIFY

Título-chave no contexto surrealista e narrativa mais importante de André Breton, formando uma trinca com 'Les vases communicants' (1932) e 'L'amour fou' (1937), este romance, escrito em 1928, encena o encontro entre realidade e fantasia, característica desta vanguarda. Num local freqüentado por prostitutas e cartomantes, o narrador mergulha na convivência efêmera e tumultuada com a personagem-título, em meio ao labirinto urbano parisiense. Nadja, uma encarnação contemporânea do enigma e do mito, representa o princípio de liberdade em forma feminina e uma porta para além da banalidade. A atmosfera onírica registra os fragmentos do dia-a-dia em imagens produzidas a partir de destroços da realidade imediata, que buscam a correspondência dos objetos cotidianos com o mundo interior.

Rosana Banharoli

Rebento dos anos 60. Nasci sob a epifânia dos Reis Magos, na hora mágica –, meia-noite. Bênçãos confluídas: céu e inferno; sagrado e profano; auroras e raios.
Meu nome? – Rosana Banharoli
(rosana_banharoli@hotmail.com)











Abandono


Tenho um buraco de bala em meu seio, onde alimento teu pássaro, faminto de redenção.Respiro por fumaças embotadas, expelidas por chaminés de meus vazios.Mesmo sem te ver, ouço seu cheiro em blues.Tapetes,mesas,sofás e ladrilhos do quintal, livres de crianças, transpiram em cavalgadas por caminhos sepultados.Mergulho na escuridão!Mordo seus dentes e engulo sua existência com miligramas de imipramina.